A Espiritualidade Teatina
1 – A Cruz Desnuda
O principal símbolo da espiritualidade da Ordem dos Clérigos Regulares (Padres Teatinos)
Desde a sua fundação, em 14 de setembro de 1524, Festa da Exaltação da Santa Cruz, a Cruz Desnuda ocupa o centro da espiritualidade da Ordem dos Clérigos Regulares (Padres Teatinos).
Mais do que um emblema ou um símbolo religioso, a Cruz representa a identidade, a missão e o ideal de vida deixados por São Caetano de Thiene e pelos primeiros fundadores da Ordem. Nela encontram-se sintetizados o espírito de pobreza evangélica, a confiança absoluta na Providência Divina, o amor à Igreja, a vida de oração e o desejo constante de configuração a Cristo Crucificado.
Aquilo que identifica todo cristão — a Cruz gloriosa de Cristo — tornou-se também o distintivo próprio da família teatina.
A Cruz: caminho de santidade
Para os Padres Teatinos, a Cruz não é apenas um sinal de sofrimento ou de morte.
Ela é o maior testemunho do amor de Deus pela humanidade, a árvore da vida, o trono da misericórdia e o caminho que conduz à Ressurreição.
Contemplar a Cruz significa reconhecer que Deus transformou o instrumento da humilhação no sinal supremo da vitória, da esperança e da salvação.
Seguindo o exemplo de São Caetano, o religioso teatino aprende a abraçar diariamente a Cruz como escola de santidade. É nela que encontra força para vencer as próprias limitações, perseverar nas dificuldades, servir com humildade, amar sem reservas e confiar plenamente na Providência Divina.
A Cruz deixa, assim, de ser apenas um objeto de veneração para tornar-se um verdadeiro programa de vida.
Como afirma São Paulo:
“Quanto a mim, Deus me livre de gloriar-me, a não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Gl 6,14).
Essa foi também a convicção dos primeiros Teatinos, que desejavam ser reconhecidos não por títulos, riquezas ou honrarias, mas unicamente pela Cruz de Cristo.
A Cruz no nascimento da Ordem
Os primeiros religiosos teatinos compreenderam que não poderia haver data mais significativa para o nascimento da Congregação do que a Festa da Exaltação da Santa Cruz.
Por isso escreveram:
“A Cruz acolheu em seu regaço a nossa Companhia apenas nascida (…). Jamais desejamos ser distinguidos por outro brasão ou insígnia senão a Cruz. Este é o distintivo oficial de nossa Congregação; esta é a insígnia de nossas casas, de nossos templos e de nossas alfaias sagradas e domésticas.”
Desde o início, portanto, a Cruz tornou-se o sinal visível da identidade teatina, acompanhando a vida da Ordem em suas igrejas, conventos, missões e obras apostólicas.
O caminho da Cruz
Um dos episódios mais significativos da história da Ordem aconteceu durante a profissão religiosa dos primeiros Teatinos.
Ao término da Santa Missa celebrada na antiga Basílica de São Pedro, em Roma, o cerimoniário conduziu os fundadores atrás da Cruz processional até o altar da Confissão.
Diante desse gesto, o Pe. Jerônimo de La Lama pronunciou uma frase que se tornou uma verdadeira síntese da espiritualidade teatina:
“Desta maneira vieram, no dia da Santa Cruz, atrás da Santa Cruz, para abraçar o caminho da Cruz.”
In die Sanctae Crucis, post Crucem, ad amplexandam viam Crucis.
Essa expressão resume o espírito da Ordem: seguir Cristo significa caminhar atrás de sua Cruz, fazendo dela o caminho seguro para a santidade.
A Cruz na vida de São Caetano
Também São Caetano de Thiene manifestou claramente essa espiritualidade.
Ao receber a ordenação sacerdotal, afirmou:
“Tornar-me sacerdote é ligar minha vida à Cruz de Cristo.”
Nessas poucas palavras encontra-se condensado todo o programa espiritual da Ordem.
Para São Caetano, o sacerdócio não era um privilégio, mas uma participação no sacrifício redentor de Cristo. Configurar-se ao Crucificado significava viver em espírito permanente de humildade, pobreza, serviço e entrega total à vontade de Deus.
O desenvolvimento do emblema teatino
Ao longo dos séculos, a Cruz Desnuda, erguida sobre o Trimonte, tornou-se progressivamente o emblema oficial da Ordem dos Clérigos Regulares.
Principais marcos históricos
Um símbolo que permanece vivo
Ao longo de mais de cinco séculos, a Cruz Desnuda permaneceu como o maior símbolo da identidade da Ordem dos Clérigos Regulares (Padres Teatinos).
Ela recorda diariamente que toda verdadeira reforma da Igreja nasce da conversão do coração e que somente aqueles que seguem fielmente o Cristo Crucificado podem participar da glória de sua Ressurreição.
Ainda hoje, os Padres Teatinos continuam encontrando na Cruz a inspiração para sua missão evangelizadora, vivendo segundo o exemplo de São Caetano de Thiene: na pobreza evangélica, na confiança absoluta na Providência Divina, na fidelidade à Igreja e no anúncio do Reino de Deus.
A Cruz permanece, assim, não apenas como o brasão da Ordem, mas como a expressão permanente de sua vocação: seguir Cristo Crucificado para anunciar ao mundo a esperança da Ressurreição.
2 – A Cruz na espiritualidade de nosso Pai Fundador São Caetano Thiene
O caminho da configuração com Cristo
Para São Caetano de Thiene, fundador da Ordem dos Clérigos Regulares (Padres Teatinos), a Cruz de Cristo não era apenas um símbolo da fé cristã, mas o centro de toda a vida espiritual e o fundamento da renovação da Igreja.
Na Cruz, contemplava o amor infinito de Deus manifestado na entrega de seu Filho para a salvação da humanidade. Ela era, para o santo fundador, um convite permanente à conversão, à renúncia de si mesmo e à plena configuração com Cristo Crucificado.
São Caetano compreendia que somente aquele que aprende a viver sob a Cruz é capaz de vencer as inclinações desordenadas do coração, superar as próprias fraquezas e caminhar com perseverança rumo à santidade.
Por isso, a Cruz jamais foi entendida como sinal de derrota ou sofrimento sem sentido. Ao contrário, ela representa o caminho da verdadeira liberdade, da vitória sobre o pecado e da participação na vida nova inaugurada pela Ressurreição de Cristo.
A Cruz na vocação teatina
Ao acolher aqueles que desejavam ingressar na Ordem, São Caetano recordava-lhes que a vocação teatina exigia uma entrega total ao Cristo Crucificado.
Costumava dizer:
“Aqui só existem os que procuram o Cristo Crucificado.”
E também:
“Aqui vivemos congregados sob o jugo da Cruz.”
Essas palavras sintetizam admiravelmente o espírito da espiritualidade teatina.
Viver sob o jugo da Cruz não significa abraçar uma existência marcada pela tristeza, pelo desânimo ou pelo sofrimento. Significa aceitar livremente o caminho do Evangelho, combater o egoísmo, renunciar ao pecado, praticar a caridade e permitir que Cristo transforme toda a existência pela força do seu amor redentor.
A Cruz torna-se, assim, uma verdadeira escola de santidade.
É nela que o discípulo aprende a obedecer como Cristo obedeceu, a servir como Cristo serviu e a amar como Cristo amou. Na contemplação do Crucificado, o sacerdote teatino encontra inspiração para viver sua missão com humildade, desapego, espírito de sacrifício e absoluta confiança na Providência Divina.
A Cruz como princípio de toda reforma
A tradição espiritual da Ordem resume esse pensamento com extraordinária profundidade:
“Para Caetano, a Cruz é o princípio de toda reforma; é a sementeira de toda colheita; é o lugar de toda renovação e a condição de toda ressurreição.”
Em outra passagem, a mesma obra afirma:
“Para os Teatinos, a Cruz é a estrutura interna que sustenta toda a atividade e irradiação do sacerdote reformado. O seguimento de Cristo consiste na imitação do Cristo Crucificado, e essa imitação identifica-se plenamente com a vida religiosa.”
Essas palavras revelam uma das características mais profundas do carisma teatino: toda verdadeira reforma da Igreja nasce da Cruz.
Antes de transformar estruturas, é preciso transformar o coração. Antes de renovar instituições, é necessário renovar a própria vida.
Foi exatamente esse o ideal vivido por São Caetano e pelos primeiros religiosos da Ordem.
A Cruz e o seguimento de Cristo
Também Bonifácio de’ Colli, cofundador da Ordem, descreveu com admirável clareza o caminho espiritual proposto aos primeiros Teatinos:
“Aprenderá, pela experiência de cada dia, qual é o sentido e a força da palavra do Senhor: ‘Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me’, entrando pela porta estreita e caminhando pelas lágrimas da penitência até alcançar as praias de uma caridade sem fim.”
Nesse ensinamento, percebe-se claramente que a espiritualidade teatina jamais separa a Cruz da esperança.
A penitência conduz à alegria da caridade.
A renúncia abre espaço para a verdadeira liberdade.
A morte para o pecado prepara o caminho para a plenitude da vida em Cristo.
A Cruz nunca é um fim em si mesma; ela conduz sempre à Ressurreição.
A inspiração dos Padres do Deserto
A tradição da Ordem conserva outro precioso ensinamento: um santo conduz outro santo.
São Caetano encontrou profunda inspiração nos escritos de São João Cassiano, especialmente nas Colações, obra que exerceu grande influência sobre sua formação espiritual.
Da sabedoria dos Padres do Deserto assimilou valores que se tornariam permanentes na vida teatina:
Esses elementos moldaram o espírito da Ordem e continuam orientando a formação de seus religiosos até os dias de hoje.
Os pilares da espiritualidade teatina
Toda a espiritualidade da Ordem dos Clérigos Regulares (Padres Teatinos) pode ser sintetizada em três grandes pilares inseparáveis:
Esses três elementos formam a identidade espiritual deixada por São Caetano e continuam inspirando a missão da Ordem em todo o mundo.
Um caminho sempre atual
Passados mais de cinco séculos da fundação da Ordem, a Cruz continua ocupando o centro da espiritualidade teatina.
Ela permanece como lugar privilegiado do encontro com Cristo, fonte da verdadeira reforma da Igreja e escola permanente de santidade.
Ao contemplar o Crucificado, o religioso aprende que o amor é mais forte que o sofrimento, a misericórdia vence o pecado e a vida triunfa sobre a morte.
Seguindo o exemplo de São Caetano de Thiene, os Padres Teatinos continuam abraçando a Cruz como caminho de fidelidade ao Evangelho, certos de que somente quem participa da Cruz de Cristo poderá também participar da glória de sua Ressurreição.
Assim, a Cruz permanece, ontem e hoje, o sinal luminoso da esperança cristã e o coração vivo da espiritualidade da Ordem dos Clérigos Regulares.
3 – O Trimonte
O fundamento da espiritualidade da Ordem dos Clérigos Regulares (Padres Teatinos)
Na base da Cruz Desnuda, emblema da Ordem dos Clérigos Regulares (Padres Teatinos), encontram-se três montes, tradicionalmente conhecidos como Trimonte. Embora discretos em sua representação, constituem um dos elementos mais significativos do brasão teatino, pois expressam os fundamentos espirituais sobre os quais São Caetano de Thiene edificou a vida da Ordem.
Ao longo dos séculos, diversos autores e espirituais apresentaram interpretações para esse símbolo. Entre as mais conhecidas destacam-se:
Cada uma dessas interpretações manifesta uma dimensão do rico patrimônio espiritual da Ordem. Contudo, merece especial destaque a explicação oferecida pelo Pe. João Maria de Cortesis, contemporâneo dos primeiros Teatinos, que contemplava no Trimonte uma síntese da vida da primeira comunidade fundada por São Caetano de Thiene.
Segundo essa tradição, os três montes representam três atitudes fundamentais que sustentam toda a espiritualidade teatina: o desprendimento, a pobreza evangélica e a confiança absoluta na Providência Divina.
O desprendimento
O primeiro monte simboliza o desprendimento.
Para São Caetano, seguir Cristo exige um coração completamente livre. Não basta renunciar aos bens materiais; é necessário desapegar-se também da própria vontade, das honras, das seguranças humanas e de tudo aquilo que possa impedir uma entrega total ao Senhor.
O verdadeiro teatino aprende a possuir como quem nada possui, reconhecendo que todos os bens pertencem a Deus e que somente Ele constitui a verdadeira riqueza.
Seu maior desejo é viver em plena conformidade com a vontade divina, fazendo de cada circunstância uma oportunidade de servir ao Reino de Deus.
Como ensina o Evangelho:
“Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mt 6,21).
A pobreza evangélica
O segundo monte representa a pobreza evangélica, uma das características mais marcantes da espiritualidade da Ordem.
Desde sua fundação, os Teatinos escolheram viver sem rendas fixas, abandonando-se inteiramente à Providência Divina. Essa opção nunca foi apenas uma forma de pobreza material, mas sobretudo uma profunda profissão de fé.
Para São Caetano, ser pobre significa manter o coração completamente livre de qualquer apego, permanecendo sempre disponível para ir aonde Deus chamar, sem buscar privilégios, seguranças ou interesses pessoais.
Essa pobreza torna o religioso verdadeiramente livre.
Livre para servir.
Livre para evangelizar.
Livre para amar.
Quem nada possui pode entregar-se totalmente ao serviço de Deus e da Igreja, confiando que o Pai jamais abandona aqueles que vivem para o seu Reino.
A confiança na Providência Divina
O terceiro monte simboliza a marca mais característica do carisma teatino: a confiança absoluta na Providência Divina.
São Caetano ensinava que Deus nunca deixa faltar aquilo que realmente necessitam aqueles que colocam o Reino de Deus em primeiro lugar.
Por isso, os primeiros Teatinos recusavam acumular riquezas ou buscar garantias humanas. Preferiam abandonar-se completamente nas mãos do Pai, certos de que Ele providenciaria tudo no tempo oportuno.
Essa confiança jamais significou passividade.
Ao contrário, tratava-se de uma confiança ativa, sustentada pela oração, pelo trabalho, pela caridade e pela certeza das palavras de Cristo:
“Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo.” (Mt 6,33).
Enquanto o mundo deposita sua segurança nas riquezas, no poder e nas próprias capacidades, o Teatino aprende a confiar unicamente em Deus, reconhecendo que toda graça e todo bem procedem de sua Providência.
O Trimonte: uma síntese do carisma teatino
Os três montes resumem admiravelmente o caminho espiritual proposto por São Caetano de Thiene.
O desprendimento liberta o coração de tudo aquilo que não é Deus.
A pobreza evangélica torna o religioso disponível para servir onde a Igreja mais necessita.
A confiança absoluta na Providência Divina sustenta toda a sua existência e o leva a abandonar-se inteiramente nas mãos do Pai.
Essas três atitudes constituem o alicerce da espiritualidade da Ordem e continuam inspirando seus religiosos no seguimento de Cristo.
Um símbolo que continua atual
O Trimonte não é apenas um elemento artístico do brasão teatino.
Ele representa um verdadeiro itinerário espiritual, convidando cada religioso e cada fiel a viver um coração desapegado, uma pobreza segundo o Evangelho e uma confiança ilimitada na Providência Divina.
Não é por acaso que a Cruz Desnuda repousa sobre esses três montes.
Assim como a Cruz encontra neles o seu apoio, também a vida do Teatino permanece firme quando está alicerçada no desprendimento, na pobreza evangélica e na confiança inabalável em Deus.
Passados mais de cinco séculos da fundação da Ordem dos Clérigos Regulares (Padres Teatinos), o Trimonte continua recordando que toda verdadeira renovação espiritual nasce de um coração livre, pobre segundo o Evangelho e inteiramente abandonado à Providência do Pai.
Essa é a herança deixada por São Caetano de Thiene e que continua sustentando a missão da Ordem na Igreja e no mundo.
4 – “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus…”
“Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus…”
O lema da Ordem dos Clérigos Regulares (Padres Teatinos)
O lema da Ordem dos Clérigos Regulares (Padres Teatinos) nasce das próprias palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo no Evangelho segundo São Mateus:
“Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo.” (Mt 6,33).
Essas palavras, acolhidas por São Caetano de Thiene como verdadeiro programa de vida, tornaram-se a síntese da espiritualidade teatina e o princípio que orienta toda a missão da Ordem.
Mais do que um lema, elas expressam uma forma de viver o Evangelho: colocar Deus acima de todas as coisas, confiar plenamente em sua Providência e dedicar toda a existência ao serviço do Reino.
Colocar Deus em primeiro lugar
Ao pronunciar esse ensinamento, Jesus convida seus discípulos a libertarem o coração das excessivas preocupações com os bens materiais e com as falsas seguranças deste mundo.
O Senhor não pede que o homem abandone suas responsabilidades, mas que lhes dê a ordem correta, reconhecendo que Deus deve ocupar sempre o primeiro lugar em sua vida.
Quando Deus é colocado no centro, todas as demais realidades encontram seu verdadeiro sentido.
São Caetano compreendeu profundamente essa verdade. Por isso, ensinava que o religioso deve viver totalmente voltado para Deus, fazendo da vontade divina o fundamento de todas as suas escolhas.
O Reino que transforma a vida
O Reino de Deus não é apenas uma promessa para a eternidade.
Ele começa já nesta vida, sempre que Cristo reina no coração humano.
Cada gesto de amor, cada palavra de esperança, cada ato de perdão, cada obra de misericórdia e cada serviço prestado ao próximo tornam presente o Reino de Deus no mundo.
É nesse Reino que o ser humano encontra aquilo que mais procura:
Buscar o Reino é permitir que Cristo transforme toda a existência e faça do coração humano morada de sua graça.
O ideal vivido por São Caetano
Inspirado por esse ensinamento do Evangelho, São Caetano de Thiene desejou que seus filhos espirituais colocassem toda a confiança na Providência Divina, vivendo desprendidos das riquezas e inteiramente dedicados à glória de Deus e ao serviço da Igreja.
Para ele, buscar o Reino significava deixar que Cristo ocupasse o primeiro lugar em todas as decisões, permitindo que a Palavra de Deus orientasse cada pensamento, cada escolha e cada ação.
Foi essa confiança absoluta que levou os primeiros Teatinos a viverem sem rendas fixas, abandonando-se completamente nas mãos do Pai, certos de que Deus jamais abandona aqueles que trabalham pelo seu Reino.
Um caminho permanente de conversão
Buscar o Reino de Deus é um compromisso que exige conversão constante.
À medida que diminuem o egoísmo, a vaidade, o orgulho e o apego às coisas passageiras, cresce em nós a presença de Cristo.
Quanto mais o coração se abre à ação da graça, mais se torna capaz de amar, servir e viver segundo o Evangelho.
Buscar o Reino significa:
Foi esse o caminho percorrido por São Caetano e pelos primeiros religiosos da Ordem.
Antes de desejarem transformar o mundo, permitiram que Deus transformasse os seus próprios corações.
Compreenderam que toda verdadeira reforma da Igreja nasce da santidade pessoal e que somente aqueles que vivem unidos a Cristo podem tornar-se instrumentos eficazes da renovação do mundo.
Um lema sempre atual
Passados mais de cinco séculos da fundação da Ordem dos Clérigos Regulares (Padres Teatinos), esse ensinamento permanece profundamente atual.
Vivemos em uma sociedade frequentemente marcada pelo individualismo, pelo consumismo, pela busca incessante de prestígio, riqueza e poder.
Em meio a essas realidades, Cristo continua dirigindo a cada homem e a cada mulher o mesmo convite:
“Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus.”
Quem coloca Deus no centro da própria vida descobre que tudo o mais encontra seu verdadeiro lugar.
É essa certeza que sustenta a espiritualidade teatina desde a sua origem: Deus nunca abandona aqueles que confiam inteiramente em sua Providência.
Um convite para todos
O lema da Ordem não pertence apenas aos religiosos.
Ele é um convite dirigido a todo cristão que deseja viver o Evangelho com autenticidade.
Buscar, antes de tudo, o Reino de Deus é fazer de Cristo o Senhor da própria existência, confiar plenamente na Providência do Pai e colocar cada talento recebido a serviço da Igreja e dos irmãos.
Essa foi a vida de São Caetano de Thiene.
Essa continua sendo a missão da Ordem dos Clérigos Regulares (Padres Teatinos).
E esse permanece sendo o caminho seguro para todos aqueles que desejam construir sua vida sobre o único fundamento que jamais passa: o Reino de Deus.
5 – “…e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo”
A plenitude do lema da Ordem dos Clérigos Regulares (Padres Teatinos)
A segunda parte do lema da Ordem dos Clérigos Regulares (Padres Teatinos) completa e ilumina o ensinamento deixado por Nosso Senhor Jesus Cristo no Evangelho:
“…e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo.” (Mt 6,33b).
Depois de convidar seus discípulos a buscarem, antes de tudo, o Reino de Deus, Jesus revela a atitude que deve acompanhar essa busca: viver segundo a justiça do Reino.
Não se trata apenas de cumprir normas ou observar preceitos exteriores. A justiça do Reino é um modo novo de viver, nascido da comunhão com Deus e iluminado pelo Evangelho. É deixar que a vontade divina transforme o coração humano, fazendo com que todas as ações sejam expressão da caridade, da verdade e da misericórdia.
A verdadeira justiça
Mas em que consiste essa justiça?
O próprio São Paulo responde em sua Carta aos Romanos:
“O Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Quem assim serve a Cristo é agradável a Deus e estimado pelos homens. Procuremos, portanto, tudo o que contribui para a paz e para a edificação mútua.” (Rm 14,17-19).
A justiça do Reino ultrapassa a simples distribuição de direitos e deveres ou o cumprimento exterior das leis.
Ela nasce de um coração transformado pela graça e consiste em agir segundo o coração de Deus.
É fazer da caridade o critério de todas as decisões, oferecendo ao próximo aquilo de que ele verdadeiramente necessita: amor, misericórdia, perdão, acolhimento, respeito, compaixão e dignidade.
Essa justiça encontra sua plenitude em Cristo, que veio revelar ao mundo o rosto misericordioso do Pai.
A justiça vivida por São Caetano
Para São Caetano de Thiene, a justiça do Reino manifestava-se concretamente na confiança absoluta na Providência Divina e no serviço generoso aos irmãos.
Não bastava professar a fé; era necessário torná-la visível por meio de obras de caridade.
Por isso, os primeiros Teatinos procuravam reconhecer a presença de Cristo em cada pessoa, sobretudo nos pobres, nos enfermos, nos abandonados e em todos aqueles que mais necessitavam do amor de Deus.
Essa era a verdadeira justiça do Evangelho: amar como Cristo amou.
Justiça, paz e alegria
São Paulo associa a justiça do Reino à paz e à alegria no Espírito Santo.
Esses não são sentimentos passageiros, dependentes das circunstâncias da vida, mas frutos da presença de Deus na alma.
A paz cristã nasce da confiança naquele que governa todas as coisas com sabedoria e amor.
A alegria do Espírito brota da certeza de que Deus permanece ao nosso lado, mesmo nas provações, conduzindo tudo para o bem daqueles que o amam.
Quem experimenta essa paz e essa alegria torna-se sinal da presença do Reino no mundo.
Aprende a servir sem buscar reconhecimento.
Perdoa sem guardar ressentimentos.
Partilha sem esperar recompensas.
Ama sem impor condições.
Sua própria vida transforma-se em testemunho silencioso da ação de Deus.
A Providência jamais abandona
Foi exatamente essa confiança que caracterizou a vida de São Caetano e dos primeiros religiosos da Ordem.
Vivendo sem rendas fixas e recusando qualquer segurança puramente humana, confiaram inteiramente na Providência Divina.
Assim demonstraram que as palavras de Cristo não são apenas um ideal, mas uma realidade concreta para aqueles que colocam Deus em primeiro lugar.
Por isso, a promessa do Senhor continua viva:
“…e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo.”
Esse “acréscimo” não significa necessariamente abundância de bens materiais.
Significa, antes de tudo, a certeza de que Deus jamais deixa faltar aquilo que é verdadeiramente necessário para a realização de sua vontade.
A Providência não elimina as dificuldades da existência, mas concede a graça suficiente para enfrentá-las com fé, esperança e perseverança.
Quem confia em Deus descobre que nada lhe falta para cumprir a missão que recebeu.
Um caminho de vida
Buscar o Reino de Deus e a sua justiça significa reconhecer o senhorio de Cristo sobre toda a existência.
É permitir que o Evangelho ilumine os pensamentos, as palavras e as ações.
É viver segundo a lógica da Cruz, da caridade e da Providência Divina.
É construir, já nesta terra, os alicerces da vida eterna.
Foi esse o ideal vivido por São Caetano de Thiene e transmitido aos seus filhos espirituais.
Formados nessa escola de santidade, os Padres Teatinos continuam sendo chamados a colocar Deus acima de todas as coisas, confiar plenamente na Providência Divina, anunciar o Evangelho com a própria vida e tornar presente, no mundo de hoje, o Reino de justiça, paz e alegria inaugurado por Cristo.
Um lema que se torna missão
O lema da Ordem dos Clérigos Regulares (Padres Teatinos) não é apenas uma frase inspiradora.
Ele resume toda uma vocação, um estilo de vida e uma missão confiada por São Caetano de Thiene à sua família religiosa.
Buscar, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça significa viver para a glória de Deus, servir generosamente à Igreja e conduzir todas as pessoas ao encontro de Jesus Cristo, o único Reino que permanece para sempre.
É esse ideal que continua inspirando a missão dos Teatinos em todo o mundo: formar corações segundo o Evangelho, anunciar a esperança da Ressurreição e testemunhar, por meio da própria vida, que a Providência Divina jamais abandona aqueles que colocam Deus em primeiro lugar.